Durante cinco anos, Poppy e Alex não tiveram um rosto oficial. Quem leu De Férias com Você, de Emily Henry, precisou imaginá-los por conta própria: a voz, o jeito de andar, a expressão de Alex quando Poppy dizia alguma coisa absurda, entre outros detalhes.
Quando o livro virou filme, Emily Bader se tornou Poppy e Tom Blyth, Alex. Pela primeira vez, milhões de leitores puderam olhar para os mesmos personagens. Para alguns, a reação deve ter sido imediata: “é exatamente assim que eu imaginava”. Para outros, o oposto: “não era assim que eu imaginava”.
Uma adaptação precisa tomar decisões que não encontramos da mesma maneira nas páginas. O casamento que acontece em Palm Springs no livro foi transferido para Barcelona, enquanto outras viagens e acontecimentos foram condensados ou alterados. Um longa-metragem obriga o diretor a fazer escolhas, mesmo que ele queira preservar os detalhes.
Passamos um livro inteiro tomando pequenas decisões visuais e, sem perceber, nos tornamos o diretor do filme mental criado enquanto lemos. Damos uma imagem aos personagens e imaginamos os lugares por onde eles passam. Nem tudo está escrito nas páginas, mas nossa cabeça parece não se importar muito com os espaços em branco.
Imagine duas pessoas lendo exatamente a mesma passagem. O autor descreve a sala e as duas entendem perfeitamente onde a cena acontece. Mas será que enxergaram a mesma sala?
Qual era a distância entre o sofá e a janela? A luz era quente ou fria? Havia algum objeto sobre a mesa?
Provavelmente nenhuma dessas respostas estava no livro. Mesmo assim, cada leitor tinha uma sala diferente, até alguém filmar aquela sala.
Talvez seja por isso que encontrar os “7 erros” entre uma adaptação e o que imaginamos seja tão divertido. Não estamos comparando apenas o filme com o livro, mas o filme que fizeram com a versão que já tínhamos criado na nossa cabeça.
E pode acontecer de a nova imagem ser tão forte que, algum tempo depois, fique até difícil lembrar como imaginávamos aquele personagem antes de conhecer o ator que passou a interpretá-lo.
Antes de um livro virar filme, ele já teve milhares de diretores.



