Existe um tipo de manhã que começa antes do relógio e costuma envolver sair de casa para tomar o primeiro café em outro lugar.
Não é sobre fome. E definitivamente não é sobre produtividade, é sobre aquele mini ato de rebeldia elegante: “Hoje eu não vou começar o dia correndo.”
Tem algo de quase cinematográfico na rotina de sentar em um café ainda meio silencioso, pedir um expresso ou um latte, e observar a cidade acordando no seu próprio ritmo.
Cada pessoa revive um micro enredo…o sono, a pressa, a calma, a cara de “não fale comigo ainda”. E você ali, no meio desse cenário, vivendo um privilégio discreto, o de simplesmente estar.
É curioso como tudo nesse ritual parece cooperar, a mesa que te acolhe sem você escolher, a xícara que esquenta a mão como parte de um acordo silencioso, o garçom ainda calibrando o turno e a sensação de que, por alguns minutos, o mundo não exige nada de você.
O primeiro café da manhã fora de casa tem esse poder suave de colocar você dentro do dia como quem entra devagar numa piscina morna, sem barulho, sem pressa, sem objetivos escondidos. É um ritual que diz muito sobre quem você é, mas diz ainda mais sobre como você quer existir no dia.
Alguns rituais não acordam o dia, acordam você.



