Imagina você parado diante de um dos imponentes palazzi de Florença, com suas janelas altas e grandes entradas, olhando para uma pequena abertura na parede que, à primeira vista, não faz muito sentido.
Essa imagem se repete nas fachadas de antigos palazzi associados a famílias nobres florentinas que, além de viverem na cidade, produziam vinho em suas propriedades agrícolas. O vinho migrava do campo para as adegas, e era vendido diretamente para quem estava na rua.
Em vez de criar uma loja no térreo do palazzo, com entrada, espaço para clientes e balcão, a solução foi menor e muito mais original: abrir um pedaço de parede na altura de uma pessoa e colocar uma portinhola de madeira.
As buchette del vino eram pequenos pontos de venda incorporados à própria fachada, verdadeiras botteghe in miniatura. Algumas tinham cerca de 23×36 centímetros, dimensão suficiente para a passagem do tradicional fiasco toscano, um recipiente de vinho de corpo arredondado e revestido de palha.
A compra acontecia quase como um “ritual”, mas sem que o cliente precisasse entrar no palazzo. Ele chegava com seu fiasco vazio, avisava que estava na porta ao bater no picchiotto, pequeno batedor, entregava pela abertura a garrafa vazia e o pagamento, e logo depois, recebia cheia de vinho novamente.
Atualmente, caminhando pelas ruas de Florença, ainda é possível encontrar as pequenas aberturas nas fachadas. Algumas estão fechadas e passam quase despercebidas, enquanto outras foram restauradas e seguem em pleno funcionamento, servindo vinho, gelato e outros produtos diretamente para quem está na rua.
bastidores: no Palazzo Viviani della Robbia, a buchetta ainda conserva ao lado sua antiga placa de funcionamento. Os horários de venda do vinho mudavam conforme a época do ano.






