Em Nápoles, quem chega à estação Monte Sant’Angelo encontra uma enorme estrutura de aço de aparência enferrujada, de contornos irregulares, que parece sair do chão. E no meio dela, uma abertura dá acesso às escadas rolantes por onde os passageiros descem para chegar aos trens.
A estrutura foi imaginada por Anish Kapoor, escultor nascido na Índia e conhecido por suas obras monumentais. Para criar a estação, ele partiu de uma ideia bastante curiosa: como seria um túnel virado do avesso, como uma meia? Essa comparação ajuda a entender melhor a forma. É como se o subterrâneo tivesse sido puxado para fora, até alcançar a superfície.
As escadas rolantes passam por dentro da escultura, e o percurso continua pelos corredores, cujas superfícies também lembram o interior de uma caverna. Não se trata de uma obra instalada ao lado da estação, ela faz parte do próprio caminho até os trens.
Kapoor pensou em um túnel saindo da terra, enquanto os passageiros fazem o movimento contrário, entrando por ele.
Monte Sant’Angelo tem uma segunda entrada, no bairro de Rione Traiano, feita de alumínio e com uma aparência bem diferente da primeira. As duas pertencem a um projeto desenvolvido ao longo de mais de vinte anos, que começou a receber passageiros no final de 2025.
Quem utiliza a estação pode estar fazendo o trajeto de sempre ou conhecendo o lugar pela primeira vez. Em qualquer um dos casos, o caminho é o mesmo: encontrar a abertura, seguir pelas escadas e descer até a plataforma.
Bastidores: uma das referências para a obra de Anish Kapoor foi a Sibila de Cumas, personagem da mitologia clássica associada à passagem para o mundo subterrâneo. A história faz parte do imaginário da região de Nápoles e ajuda a compreender a ideia de uma entrada que parece surgir das profundezas da terra.






