Quando São Paulo resolve falar italiano

Em alguns lugares, a pergunta “onde estamos?” simplesmente perde a importância. Basta atravessar a entrada e perceber que São Paulo deixa de ser o centro das atenções.

É nesse momento que Mata Città começa a se revelar, dentro do conjunto do Cidade Matarazzo, onde história e projeto arquitetônico recente se encontram de forma fluida.

Mais do que um conjunto de ambientes, o lugar se desdobra como uma sequência de atmosferas que vão se transformando à medida que você caminha. A luz muda, os materiais ganham outra leitura, e cada transição conduz o olhar com uma naturalidade que dispensa explicação.

Existe uma ideia que costura tudo, ela aparece no intervalo entre um espaço e outro, na maneira como uma sombra encosta na parede, no tempo que você leva para notar que já não está olhando da mesma forma.

A Itália atravessa o projeto inteiro, mas aparece menos como tema e mais como uma referência reconhecível, dessas que o olhar percebe antes da cabeça tentar nomear. Basta um detalhe para que tudo se afaste do óbvio sem precisar recorrer a excessos. 

Como acontece em uma das salas, onde os pratos acabam chamando a atenção, não de forma imediata, mas aos poucos, espalhados por paredes e teto, como se tivessem encontrado o lugar perfeito para ficar. Existe algo de intimista nessa escolha, uma tentativa de construir uma atmosfera mais próxima de uma certa dolce vita do que de qualquer referência literal.

Até os banheiros fazem parte dessa experiência, não como complemento, mas como continuidade, espaços que mantêm a coerência do percurso e prolongam essa sensação quase cinematográfica, como se cada ambiente tivesse sido pensado mais como cena do que como composição.

Aos poucos, deixa de importar qual ambiente chamou mais atenção e surge uma sensação difícil de explicar, como se São Paulo tivesse perdido o protagonismo por alguns minutos.

bastidor: o projeto reúne sete ambientes com referências italianas distintas, pensados como cenas independentes dentro do Cidade Matarazzo.

para ir um pouco além

em Milão, um lugar onde cada ambiente parece ter sido pensado como uma cena
em Lisboa, um espaço onde cada sala muda discretamente a forma de estar

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