Peter Zumthor imaginou Therme Vals como uma montanha escavada. Em vez de construir um spa sobre a paisagem, fez parecer que aqueles espaços sempre estiveram escondidos dentro da pedra, esperando apenas para serem descobertos.
É exatamente essa sensação que acompanha a visita a Therme Vals, nos Alpes suíços. Onde por alguns instantes, a pedra domina o caminho. A luz entra por pequenas frestas. O som da água aparece antes dela e, a cada passagem, apenas uma parte do lugar se revela. O mais interessante é que em nenhum momento a arquitetura entrega tudo de uma vez.
A piscina principal permanece escondida por mais tempo do que se imagina. E quando ela finalmente aparece por completo, a sensação é surpreendente. Só então fica claro que o caminho nunca existiu apenas para levar alguém até a água, mas para transformar a maneira como ela seria descoberta.
Nada disso acontece por acaso, Zumthor desenhou cada mudança de direção para controlar cuidadosamente o que e quando seria revelado. Descobrir o lugar também faz parte da arquitetura.
Depois de conhecer Therme Vals, fica difícil entrar em um hotel, museu ou restaurante sem reparar se ele entrega tudo logo na entrada ou se também escolhe revelar os detalhes aos poucos.
bastidor: Peter Zumthor costuma dizer que Therme Vals foi pensado menos como um edifício e mais como uma experiência construída com pedra, água, luz, vapor, temperatura e som. Esses elementos não aparecem como cenário, eles são os próprios materiais da arquitetura. Hoje o complexo opera com o nome 7132 Therme, mas a obra continua conhecida internacionalmente como Therme Vals.







