É difícil encontrar outra frase que consiga pedir uma hora da vida de alguém com tanta delicadeza.
Quando alguém faz esse convite, quase nunca a conversa continua assim:
– Que café você pretende pedir?
Também não costuma acontecer isto:
– Quanto tempo você imagina que vamos ficar?
E, na maioria das vezes, nem existe uma pauta muito definida, mas o encontro já está marcado. Não é preciso dizer muito mais do que isso, quase todo mundo entende o que está sendo convidado a oferecer.
Em algum momento, o café acabou virando uma unidade de medida de disponibilidade: menor que um almoço, mais generoso que uma ligação, menos comprometedor que um jantar. E nele cabe uma proposta de trabalho, uma amizade antiga, uma ideia ainda sem forma, uma reconciliação ou aquele “precisamos nos encontrar” que dificilmente caberia em uma mensagem.
Existem poucos compromissos cuja duração permaneça tão aberta como alguns cafés que acabam em quinze minutos e outros que atravessam a tarde inteira. E mesmo assim, os dois continuam sendo apenas um café.
Isso acontece porque a duração nunca foi a parte mais importante. Em muitos casos, nem quem faz o convite sabe exatamente como será a conversa. O café apenas oferece uma mesa, o resto segue sem regras.
No fim das contas, é por isso que quase ninguém marca um café por causa do café.
Porque a maior invenção talvez não tenha sido o espresso, o coado ou o cappuccino.
Foi a sociedade, sem combinar, que encontrou uma maneira elegante de pedir o tempo de alguém, fingindo que estava falando de uma bebida.



