O celular toca e, antes mesmo de olhar quem está ligando, existe uma boa chance de você pensar: “Aconteceu alguma coisa?”
Durante muito tempo, essa provavelmente não seria a primeira pergunta, porque uma ligação poderia significar absolutamente nada além de alguém querendo conversar por alguns minutos, contar uma história sem importância ou simplesmente preencher um pedaço vazio do dia.
Agora ela costuma chegar acompanhada de uma pequena suspeita.
Em torno dela surgiram pequenas cerimônias… a mensagem enviada antes, o “é rapidinho” ou aquele clássico “não se preocupa, não é nada grave”. Como se fosse necessário uma justificativa prévia para ocupar alguns minutos da atenção de uma pessoa.
Ninguém estranha uma sequência de mensagens atravessando a tarde inteira, elas chegam, esperam, desaparecem e reaparecem quando houver tempo. Já uma ligação inesperada continua carregando um peso diferente, mesmo quando não traz nenhuma urgência.
Não é raro ouvir alguém começar uma conversa pedindo desculpas por estar ligando. A desculpa chega antes mesmo do assunto e, na maioria das vezes, o assunto nem era tão importante assim.
A ligação dura poucos minutos, não há problema para resolver, decisão para tomar ou notícia para compartilhar. Existe apenas vontade de ouvir uma voz diferente da sua.
Ainda assim, ligar para alguém parece mais uma interrupção do que uma conversa.
Como se isso, por si só, já não fosse motivo suficiente para pegar o telefone.



