Nem toda sensação espera explicação.
Antes da conversa começar, antes da resposta aparecer, antes mesmo de existir motivo suficiente para tanta antecipação.
O corpo percebe primeiro e decide avisar de um jeito antigo: um leve desconcerto, um pensamento que volta, uma pequena agitação difícil de localizar exatamente. Às vezes antes de uma mensagem que ainda nem chegou, de uma porta que ainda não abriu ou de uma ideia que acabou de aparecer.
Durante muito tempo, borboletas no estômago ficaram associadas quase exclusivamente ao amor, embora isso explique só uma parte.
Elas também aparecem antes de viagens, encontros, ideias novas e até diante de decisões aparentemente pequenas, como se o corpo soubesse reconhecer antes aquilo que ainda nem ganhou proporção do lado de fora.
Nem sempre anunciam nervosismo. Às vezes só avisam, com certa antecedência, que alguma coisa começou a importar. Como se uma parte mais intuitiva percebesse antes aquilo que a cabeça ainda está tentando encontrar um nome.
Talvez o mais curioso seja justamente isso: em meio à pressa de entender tudo rapidamente, ainda existe uma sensação que prefere chegar sem legenda.



