A pequena arte de não preencher tudo

Alguns minutos perderam o costume de ficar vazios.

Ainda existem aqueles poucos instantes em que nada acontece e ninguém sente necessidade imediata de transformar isso em alguma coisa útil?

Durante muito tempo, qualquer espaço livre passou a funcionar como convite automático: responder, adiantar, resolver, organizar mentalmente o que ainda falta. Cinco minutos raramente permanecem livres por muito tempo.

Talvez por isso o conceito holandês niksen tenha despertado tanto interesse…”a ideia simples de não fazer nada sem transformar isso em método, meta ou ferramenta de performance.”

Não como pausa planejada, nem como descanso eficiente. O niksen se parece mais com olhar pela janela enquanto a água ferve, esperar o elevador sem procurar o celular ou permanecer alguns minutos sem decidir imediatamente o que fazer com eles. Em algum momento, até isso começou a parecer tempo mal aproveitado.

Como se alguns minutos sem utilidade precisassem ser compensados por alguma pequena sensação de produtividade.

O niksen agrada justamente porque devolve uma permissão discreta de deixar um trecho do dia sem destino claro. E talvez seja isso o que torna a proposta menos simples do que parece.

Hoje, não fazer nada por alguns minutos já soa, para muita gente, quase como um pequeno luxo contemporâneo.

p.s.: os holandeses perceberam isso cedo, antes que alguém resolvesse transformar em método.

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