A entrada é simples, como quem entende bem o efeito de não exagerar.
Poucos passos depois, a sensação já mudou…janelas altas, plantas ocupando o pátio com naturalidade, luz entrando do jeito certo e Buenos Aires parecendo um pouco distante do lado de fora.
O Como en Casa tem esse tipo de equilíbrio que é difícil de explicar e fácil de perceber. Nada parece querer aparecer mais do que deveria: as mesas simples, a distância certa entre elas, o verde subindo pelas laterais, a luz mudando de lugar como se também tivesse escolhido ficar.
Existe um momento em que o café ainda nem chegou e você já entendeu que vai ficar mais tempo do que imaginava.
Talvez porque a sensação boa apareça antes de qualquer explicação. Não como conceito, nem como estética, só como uma escolha muito bem feita.
As plantas ajudam bastante nessa história, elas não parecem ter sido colocadas ali para completar o cenário, parecem antigas conhecidas da casa, como quem já sabia exatamente onde ficar.
Da rua para dentro, a diferença é imediata. O lado de fora continua acontecendo normalmente, enquanto lá dentro a urgência parece menos convincente ou pelo menos finge muito bem.
E talvez seja esse o detalhe mais simpático do Como en Casa, aquele tipo de pátio que faz você esquecer por alguns minutos que ainda existe uma cidade inteira esperando do lado de fora.
ps: ele funciona dentro de um casarão de 1890, talvez isso ajude a entender por que o pátio parece ter encontrado seu lugar há bastante tempo.





